Conscientização de estudantes e consumidores, treinamento para mão-de-obra em todos os processos construtivos e o papel do poder público na construção sustentável foram os pontos conclusivos do debate que faz parte do I Ciclo de Debates e Painéis Temáticos realizado pela divisão Técnica de Construção Sustentável do Instituto de Engenharia / Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica - ANAB Brasil, no dia 13 de agosto. Alguns dos principais profissionais do cenário sustentável brasileiro levantaram questões fundamentais sobre o tema Certificações de empreendimentos: desafios, problemas e soluções. O presidente do grupo Sustentax – Engenharia de Sustentabilidade, engenheiro Newton Figueiredo prevê para daqui cinco anos a diferenciação de todos os produtos passíveis de consumo por meio da responsabilidade social. “Estamos na era do consumidor e ele procura bem-estar e responsabilidade social. Daqui para frente, não bastará ter produtos e serviços de qualidade a bons preços. Eles deverão ser também percebidos como socialmente responsáveis. A certificação facilita o acesso específico e efetivo de compradores e financiadores para os produtos realmente sustentáveis”, afirmou Newton. “Consumidores e produtores devem saber usar seu poder, capaz de interferir no comportamento do mercado. As certificações são valiosas ferramentas para orientar o consumidor em suas escolhas e um poderoso instrumento de marketing e comunicação. Mas, é preciso um organismo independente que formule critérios e normas para entidades certificadoras”, alertou a publicitária especialista em Gestão Empresarial Estratégica com ênfase em Responsabilidade Social, Marilena Lavorato. Além da importância do consumidor como líder de comportamento, os participantes apontaram outras preocupações igualmente pertinentes. Ao abrir para perguntas entre os mesários, a diretora executiva do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável - CBCS, Lílian Sarrouf, questionou Ana Rocha, gerente de projetos da Método Engenharia, sobre a liberdade de escolhas do empreendedor diante das exigências das empresas de certificação. Ana Rocha acredita que quando o empreendedor é realmente consciente e comprometido com a sustentabilidade não se preocupa com as demandas, mas com o resultado final das boas práticas. “Fazemos parcerias com universidades e empresas privadas para conscientização dos construtores e equalização dos diferentes sistemas para aplicação”, declarou Ana. Quanto à formação de profissionais sustentáveis, Marilena Lavorato indagou Ana Helena Salvi, mediadora e coordenadora de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Paulista - UNIP sobre as iniciativas para uma formação universitária mais completa. Segundo Ana Helena, as iniciativas são poucas e recentes, mas algumas universidades já incluíram matérias sustentáveis nos programas de arquitetura e engenharia. O público do evento era composto por estudantes e profissionais interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre essa crescente exigência sustentável do mercado e esclarecer as dúvidas quanto à confiabilidade das empresas de certificação que só há pouco se instalaram no Brasil. À mesa debatedora, levantaram questões como a rejeição de alguns arquitetos aos sistemas das empresas certificadoras de empreendimentos. Luiz Fernando Lucho do Valle, presidente do grupo Ecoesfera, reconheceu que a sustentabilidade requer muita dedicação, pesquisa e horas de estudo, o que torna mais cômoda a rejeição. Em resposta à mesma pergunta, Clarice Menezes Degani, que participou da equipe técnica para experimentação da certificação ambiental francesa HQE no CSTB (FR), acredita que o receio dos arquitetos, normalmente, é com a possibilidade de “engessamento” da criatividade. “A partir do momento que eles vêem que há flexibilidade e muito mais vantagens nesses sistemas, a aceitação é imediata”, afirmou Clarice. Acácia Mendonça de Alcântara, arquiteta e design de interiores em Aracajú – SE, veio especialmente para o debate. “Estou envolvida em um projeto de um conjunto habitacional feito com tijolos ecológicos para a Secretaria de Planejamento do Estado de Sergipe. Quero estudar outras soluções sustentáveis para a construção e levar essa discussão até a minha cidade e trabalho”, disse Acácia. A estudante de arquitetura Carla Roxo queria conhecer a ANAB Brasil e os serviços que ela oferece. “Sou analista de sustentabilidade da construtora Camargo Corrêa e precisava de informações sobre os treinamentos e sensibilização de funcionários para propor em meu trabalho”. Após o debate, Cristina Whyte Gailey, psicóloga especializada em Gestão de Pessoas, Educação Ambiental e Gestão para a Sustentabilidade, ministrou o workshop Gestão de Pessoas para a Sustentabilidade. O debate e workshop foram as primeiras atividades do I Ciclo de Debates e Painéis Temáticos que acontecerá uma vez por mês alternando debates, workshops e painéis temáticos até o final do ano. Os debates são gratuitos. Para o workshop será cobrada uma taxa para não-associados, as vagas são limitadas. A próxima atividade programada para o I Ciclo de Debates e Painéis Temáticos é “Materiais e Tecnologias Inovadoras para Construções Sustentáveis”, dia 11 de setembro, das 9 às 12 horas, com Ricardo Caruana e Heloisa Pomaro. Conheça a programação para os próximos encontros e inscreva-se pelo telefone (11) 3466 9275 ou pelo e-mail contato@anabbrasil.org
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