Por Roselaine Araújo
2ª edição do livro “Introdução à Ventilação Natural” traz conteúdo ampliado e layout mais atraente.
Projetar de acordo com os aspectos ambientais de cada região parece óbvio, mas não é isso que observamos na maioria dos empreendimentos comerciais ou residenciais. Grande parte deles desprezam a ventilação natural e com isso deixam de proporcionar aos usuários os benefícios de um sistema de ventilação alternativo ao ar-condicionado que faz circular o ar e aumentar a umidade, promovendo uma refrigeração natural a custo bem mais baixo.
Diante dessa realidade, os arquitetos Leonardo Bittencourt e Christina Cândido lançaram no final do ano passado o livro “Introdução à Ventilação Natural”. Trata-se de um guia para arquitetos, estudantes de arquitetura e aos demais profissionais da área interessados em fazer uso de uma estratégia climática mais eficiente para a obtenção de conforto térmico nos espaços urbanos e arquitetônicos. Publicado pela editora Universidade Federal de Alagoas (Edufal), o livro está agora na sua segunda edição e, teve sua tiragem duplicada, mudanças gráficas, além da inserção do capítulo Componentes Arquitetônicos. A arquiteta, mestre em Arquitetura e Urbanismo na área de concentração e conforto ambiental e doutoranda em Ventilação Natural, Christina Cândido explica como surgiu e quais as características principais da publicação:
“O livro nasceu a partir da tese de doutorado do arquiteto Leonardo Bittencourt, que é professor na Universidade de Alagoas e coordena grupos de pesquisas no laboratório de conforto ambiental. Depois de 10 anos de pesquisas consecutivas e levando em consideração opiniões de estudantes e pesquisadores de todo país, resolvemos reunir todo esse material e torná-lo acessível a todos que desejam projetar seguindo as condições bioclimáticas. Não é um livro técnico, pois tentamos diluir o tema ao máximo para facilitar o entendimento de todos os tipos de leitores. De forma simplificada, demonstramos que os fenômenos da natureza devem servir como premissas de um projeto, o que resulta em economia de energia, redução do impacto ambiental, diminuição de resíduos – bactérias e vírus que se proliferam e espalham-se com o uso do ar-condicionado. No entanto, é fundamental frisar que espaços concebidos, segundo as condições bioclimáticas asseguram, sobretudo o bem-estar das pessoas”, enfatiza Christina associada e parceira da ANAB – Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica.
O livro traz aos leitores exemplos bem-sucedidos do uso adequado da ventilação natural em edifícios construídos em países como Índia, Londres, China e também no Brasil, além de outras localidades. Embora os primeiros discursos de novas estratégias de aproveitamento climático tenham surgido em 1970, o assunto ainda é pouco divulgado por aqui e não raro visto com preconceitos. “ Há pessoas que acreditam que somos totalmente contrários ao ar-condicionado. Não é isso. Propomos o uso racional dele e sabemos que em determinadas circunstancias ele é dispensável. No livro, deixamos claro como o vento comporta-se na malha urbana, quais são os tamanhos adequados das janelas, de que forma calcular o fluxo de ar e ensinamos a fazer bom aproveitamento dele e também dos componentes arquitetônicos. Na primeira edição, tivemos uma receptividade muito maior do que imaginávamos. Agora, com a edição ampliada, esperamos ter a mesma resposta positiva”, complementa a arquiteta.
Introdução à Ventilação Natural, 147 páginas Publicação: Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal) Autores: Leonardo Bittencourt e Christina Cândido
Foto: Leonardo Bittencourt e Christina Cândido Crédito: Divulgação Legenda: Leonardo Bittencourt e Christina Cândido, autores do livro “Introdução à Ventilação Natural”, editado pela Edufal
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