Por Silvia Manfredi
Colaboração: Maria Cristina Toledo

O que os 72 mil torcedores e mais de 1 bilhão de pessoas que acompanharam a final da Copa em todo o mundo não viram no Olympiastadion está escondido em seus subsolos: um exemplar sistema de utilização das águas pluviais que deverá ser o novo benchmark para os estádios atuais.
Nenhum outro estádio na Alemanha passou por uma reforma tão grande como o Olympiastadion, que foi totalmente reestruturado e equipado com as últimas tecnologias. A reconstrução, ao custo de 242 milhões de euros, teve início no final de 2000 e teve de ser conduzida com o maior cuidado, pois o estádio projetado pelo arquiteto Werner March e construído entre 1934-36, é tombado pelo patrimônio histórico.
O estádio recebeu um novo telhado oval, em um contraste delicado com a estrutura robusta das históricas esculturas tectônicas. A estrutura leve das vigas em balanço é sustentada por uma cadeia de 20 vigas mestras alternando-se pela galeria e 132 pilares de aço. O telhado é literalmente a coroa de glória de uma solução harmoniosa que incorpora passado, presente e futuro.
No sistema de som e iluminação, foram utilizadas 5.000 lâmpadas fluorescentes com regulagem, sistema de som PA ultra moderno e iluminação com holofotes que não ofuscam a visão, proporcionada por uma única faixa brilhante na parte frontal do telhado, permitindo uma grande variedade de fascinantes efeitos atmosféricos.
Mas o que deixa os alemães mais orgulhosos e ninguém pode observar é sistema que utiliza água pluvial para a irrigação do campo e de todas as áreas verdes do estádio. O sistema possui um tanque subterrâneo capaz de armazenar 1.700 m3 de chuva - suficiente para irrigar todo o estádio 10 vezes. Com 11m de altura e 21m de diâmetro, é um dos maiores tanques de água pluvial na Alemanha. A água é bombeada para os aspersores do sistema de irrigação numa vazão de 90 mil l/hora.
Toda a água armazenada no tanque corresponde à metade da água coletada nos 42 m2 da cobertura. A outra metade é drenada automaticamente por três canais subterrâneos ao redor do estádio. Estes canais de drenagem são conectados ao tanque de armazenamento, assim quando o tanque atinge seu nível máximo, o excesso de água é vagarosamente drenada pelo subsolo sem causar enchentes.
Os benefícios são vários: além de preservar os recursos naturais, os custos operacionais relativos ao uso da água e a disposição de efluentes (que neste caso são 15mil m3/ano) também são reduzidos.
Em um exemplo para o resto do mundo, a Alemanha continua demonstrando que é possível atender as demandas da sustentabilidade até em edifícios históricos tombados como o Olympiastadion. Um belo exemplo que poderia ser seguido pelo Brasil nos jogos Panamericanos de 2007.
Fonte: http://fifaworldcup.yahoo.com
http://greengoal.fifaworldcup.yahoo.net