por Silvia Manfredi

“Os olhos do mundo todo estarão voltados para a Alemanha durante a Copa do Mundo. Nós, naturalmente, queremos dar o exemplo em termos de proteção ambiental.”
- Franz Beckenbauer, presidente do Comitê Organizador da FIFA World Cup 2006
A Alemanha desenvolveu, pela primeira vez na história das Copas do Mundo, um ambicioso programa de redução de impactos ambientais.
A Copa do Mundo da FIFA 2006 é o primeiro evento esportivo mundial a estabelecer objetivos mensuráveis de proteção ambiental relacionados aos principais impactos, como: geração de resíduos e emissões na atmosfera, e consumo de energia e água.
É inevitável o impacto sobre o meio ambiente em um evento deste porte, que deverá contar com 3,2 milhões de espectadores em todos os jogos, porém serão implementadas medidas para minimizar os impactos imediatos em todos os estádios e seu entorno, e estabelecidas estruturas que beneficiem o meio ambiente a longo prazo, e não apenas durante os jogos.
Assim, a organização do evento – FIFA e demais parceiros, estabeleceram um programa de redução de impactos e proteção ambiental – o “Green Goal”, ou “Gol Verde” desde 2001, portanto cinco anos antes da Copa, estabelecendo entre outras coisas, a redução de 20% do consumo de energia e água e do volume de resíduos.
Os objetivos serão alcançados por ações conjuntas, realizadas em todos os estádios, e os principais patrocinadores, como a Deutsche Bahn (trens), a Deutsche Telekon (telecomunicações) e empresas privadas multinacionais, também irão cumprir metas ambientais durante o torneio.
Para se ter uma idéia, normalmente os estádios consomem de 10 a 20 mil m3 de água por ano, dependendo do número e tamanho dos jogos. Para os jogos da Copa do Mundo da FIFA de 2006, espera-se o consumo de 42 mil m3 de água e de até 3 milhões de kwh de energia, o suficiente para abastecer até 700 famílias no período de um ano. Quanto à geração de resíduos, em uma típica partida são produzidas de 5 a 10 toneladas de resíduos nos estádios, além de todo o resíduo disposto em seu entorno após os jogos. Durante a Copa, estima-se que esse número será bem maior.
Para atingir as metas de redução do consumo de energia e água foram definidas algumas medidas, tais como: priorizar a eficiência energética nos estádios e o uso de fontes de energia renováveis. O estádio de Dortmund, onde foi realizado o jogo do Brasil contra o Japão, por exemplo, possui painéis fotovoltáicos que geram energia suficiente para atender a demanda dos jogos. O estádio chegou a ganhar o Prêmio Solar Europeu, uma premiação que a Associação Européia para Energias Renováveis promove todos os anos.
A grande inovação do Green Goal fica por conta do programa de redução de emissões e proteção do clima. O deslocamento de 3,2 milhões de espectadores, alemães e estrangeiros, deverá gerar 100 mil toneladas de dióxido de carbono. Para minimizar essas emissões, os organizadores do evento criaram um programa de incentivo ao uso de transportes menos poluentes – como as ferrovias. O excedente das emissões de carbono será abatido através do uso de energias renováveis nos estádios e através de investimentos em projetos de fixação de carbono em países em desenvolvimento, via Protocolo de Kyoto. Segundo os organizadores, este será o maior legado da Copa do Mundo FIFA 2006.
Um desses investimentos, por exemplo, será realizado em Tamil Nadu, no sudeste da Ásia, onde a Associação do Futebol Alemão (DFB) vai investir $500 mil euros para a promoção de energias renováveis e para a reconstrução das regiões atingidas pelo tsunami em 2004. Apenas este programa vai compensar pelo menos um terço das 100 mil toneladas de dióxido de carbono geradas durante os jogos. Basicamente, o programa consiste na produção de biogás para uso das famílias locais, ao invés da madeira e querosene utilizados como combustível. Desse modo, os recursos naturais são preservados e os efeitos do aquecimento global são minimizados, além de melhorar a saúde dos habitantes (morrem mais pessoas por doenças respiratórias causadas pela fumaça do que por malária na região).
Com o "Green Goal", a Alemanha demonstra que é possível atender as demandas da sustentabilidade em eventos de escala global.
“Nós, na Alemanha, já somos campeões ambientais. Agora só falta sermos os campeões da Copa” - sonha Hans Martin Stork, um dos executivos da organização do projeto.
Fonte: http://fifaworldcup.yahoo.com
http://greengoal.fifaworldcup.yahoo.net