Representantes de empresas da área da construção e de instituições financeiras se encontraram no dia 09 de novembro de 2005, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, para debater sobre a viabilidade de ações sustentáveis na área da construção civil e no mercado imobiliário.
O encontro foi idealizado pela Sistema Assessoria Ambiental, empresa de assessoria técnica que presta serviços para o setor da construção. Visando ampliar a adoção de ações sustentáveis em empreendimentos – equilibrando a viabilidade econômica, social e ambiental, a empresa contou com o apoio de diversos especialistas.
A mudança de paradigma se inicia com a própria escolha do terreno, prevenindo riscos ambientais e de construção em solo contaminado, conforme abordado na palestra de Egon Hannes, trazendo a tecnologia do geoprocessamento como instrumento de decisão para Best Site Location. Toda tecnologia aplicada no empreendimento deve estar prevista desde a concepção do projeto, prevenindo-se gastos desnecessários, de acordo com Artaet Martins, da Ecovias, que apresentou o projeto de ampliação da Rodovia Imigrantes. Tais tecnologias devem abranger conforto ambiental, reuso de água e eficiência energética, além do gerenciamento e a destinação dos resíduos da obra.
Saulo Rozendo, do CTE – Centro de Tecnologia de Edificações, ressaltou que o mercado consciente é um mercado que cresce gradativamente, demonstrando que os empresários que apostarem neste mercado podem ter inúmeras vantagens, como comprovado pelo empreendimento Gênesis, apresentado por Marcelo Takaoka.
No módulo presidido por Luiz Antonio França, presidente da Câmara Técnica de Finanças Sustentáveis do CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável e diretor do Banco Itaú, foram apresentadas algumas linhas de financiamento específicas para o setor, que ainda são modestas e tratam de aspectos pontuais. A linha de financiamento da Caixa Econômica Federal, apresentada por Oswaldo Serrano de Oliveira, é um dos poucos exemplos, neste caso voltado para a destinação de resíduos.
Foi ressaltado o papel dos bancos como indutores da sustentabilidade, sendo enfatizado por Cláudio Tavares de Alencar, do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP, que estratégias sustentáveis previnem riscos e agregam valor ao empreendimento.
Ainda não existe, no Brasil, certificação na área da construção, o que dificulta a padronização de critérios para avaliação de empreendimentos. Porém, algumas iniciativas, tais como o ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial, apresentado por Rogério Marques, da Bovespa, bem como o trabalho do GRI – Global Reporting Iniciative, enfatizado na abertura do evento por Fabio Feldmann, trazem bases comparativas para o estabelecimento de tais certificações. Neste sentido, a última palestra do evento contou com a presença de Clarice Menezes, trazendo a experiência de certificações internacionais e ressaltando a importância de criarmos modelos de certificação adequados à realidade brasileira.
A pergunta inicial do evento: “a sustentabilidade ambiental é também economicamente viável?” foi respondida com otimismo, sendo comprovada nos exemplos apresentados, tais como a ampliação do CENPES - Centro de Pesquisa da Petrobrás, no Rio de Janeiro, apresentado por Francisco Mateus Miller. Enfatizou-se a importância da atuação de todos os agentes envolvidos para se ampliar a viabilidade de uma construção mais limpa, sendo colocado pelo professor Vanderley John, da Escola Politécnica da USP, a dificuldade da implantação de empreendimentos verdadeiramente sustentáveis por empresas cuja diretoria não esteja consciente da importância de tais ações. Nesta linha, foi proposto por Flavio Almeida, representante do CEBDS em São Paulo, a criação de uma Câmara Técnica de Construção Mais Limpa, como plataforma para o desenvolvimento de estratégias empresariais no setor.
O evento contou com a parceria da ANAB Brasil - Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica, associação consolidada na Itália e que atualmente inicia seus trabalhos no Brasil, além do apoio das entidades ABRAMAT, CREA-SP, ANAMACO, IBSTH, SECOVI-SP e SINAENCO e do respaldo acadêmico da POLI-USP e FAU-USP. Outras instituições apoiadoras foram a FIESP e o CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável.