O caminho para a sustentabilidade da construção urbana passa necessariamente pela gestão dos resíduos gerados pelas atividades de construção, demolição e movimentação de solos (RCD). Têm-se constatado que habitualmente, nos municípios brasileiros, a massa gerada de resíduos de construção e demolição excede a dos demais resíduos sólidos urbanos conforme evidencia a tabela 1.
Tabela 1 – Importância relativa da geração dos resíduos de construção e demolição em alguns municípios brasileiros.
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Município / Ano |
Geração diária em toneladas |
Participação em relação à massa de resíduos sólidos urbanos |
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Guarulhos / 2001 |
1.308 |
50% |
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Diadema / 2001 |
458 |
57% |
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Piracicaba / 2001 |
620 |
67% |
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Vitória da Conquista / 1997 |
310 |
61% |
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Jundiaí / 1997 |
712 |
62% |
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São José do Rio Preto / 1997 |
687 |
58% |
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Santo André / 1997 |
1.013 |
54% |
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São José dos Campos / 1995 |
733 |
67% |
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Ribeirão Preto / 1995 |
1.043 |
70% |
Fonte: IeT Informações e Técnicas.
Ao considerarmos o ciclo de vida das edificações, identificamos a necessidade de, nas fases de concepção dos empreendimentos e elaboração dos respectivos projetos, buscar-se soluções arquitetônicas e construtivas que propiciem minimização da geração de resíduos. Neste contexto, há liberdade de fazer escolhas ambientalmente amigáveis com repercussões não só em relação à massa de resíduos que deverá ser gerada, mas também quanto ao tipo ou classes de resíduos. Impõem-se, neste período que antecede a execução de obras, a necessidade de elaboração do projeto de gerenciamento de resíduos da construção como parte do planejamento para o empreendimento.
Na fase de execução de obras gera-se, comumente, expressiva massa de RCD e a gestão dos resíduos surge como importante aliado na racionalização do uso de recursos naturais e de mão-de-obra, havendo limites impostos pelas escolhas realizadas nas fases de concepção e projeto.
Durante a ocupação e utilização das edificações para seus fins específicos, o RCD surge novamente quando da necessidade de realização de pequenos reparos, manutenções e reformas mais amplas que remodelem a edificação tornando-a mais adequada ao uso que se pretende. Neste instante os gestores dos empreendimentos comumente são outros e o risco de dispersão dos resíduos gerados de potencializa por falta de informação, descompromisso e precariedade de soluções locais integradas por um sistema de gestão urbano.
Finalmente, finda a vida útil da edificação sua desativação também gerará resíduos cujas soluções respectivas de destinação estarão condicionadas principalmente pelas escolhas das fases de concepção e projeto em sua origem, dando o tom da importância do planejamento no gerenciamento dos RCD.
Outro aspecto merecedor de destaque na gestão urbana dos RCD é o da diversidade de atores que dela participam. No ambiente urbano “esbarram-se” gestores dos mais diversos empreendimentos geradores de RCD, além de agentes diversificados que cumprem papéis específicos na cadeia envolvida no planejamento dos empreendimentos, geração, manejo e destinação dos RCD, com diferentes níveis de compromisso. Podemos mencionar, neste contexto ampliado, a presença e participação de incorporadores, projetistas, construtores, empreiteiros, operários, proprietários ocupantes de imóveis, administradores de imóveis, transportadores de resíduos, destinatários de resíduos, gestores públicos etc. Neste contexto, torna-se evidente o conflito de interesses na relação entre tais agentes cabendo aos sistemas de gestão integrada de RCD o desafio de maximizar o bem comum.
Explorar a variedade de situações verificáveis ao longo do ciclo de vida das edificações e a complexidade das relações entre os diversos agentes, reconhecendo a importância do canteiro de obra como ambiente típico de geração dos RCD e das cidades como ambiente de inserção e também como provedores de soluções. Tal será a temática do curso “Gestão Ambiental de Resíduos da Construção Urbana – Dos Canteiros às Cidades” que será realizado nos dias 24 e 25 de setembro de 2010. Nesta ocasião, serão explorados desde aspectos conceituais e metodológicos, passando pelo estudo da Gestão Urbana de RCD em Guarulhos, SP como exemplo aplicado à realidade metropolitana de SP e tendo como destaque a visita a empreendimentos privados e equipamentos públicos integrantes das redes de gestão urbana sustentável de RCD.
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Por Élcio Duduchi Carelli.
Por anab |