Gestão Urbana Integrada de Resíduos da Construção e Demolição - o desafio do exercício da responsabilidade
O caminho para a sustentabilidade da construção urbana passa necessariamente pela gestão dos resíduos gerados pelas atividades de construção, demolição e movimentação de solos (RCD). Têm-se constatado que habitualmente, nos municípios brasileiros, a massa gerada de resíduos de construção e demolição excede a dos demais resíduos sólidos urbanos conforme evidencia a tabela abaixo.
Ao considerarmos o ciclo de vida das edificações, identificamos a necessidade de, nas fases de concepção dos empreendimentos e elaboração dos respectivos projetos, buscar-se soluções arquitetônicas e construtivas que propiciem minimização da geração de resíduos. Neste contexto, há liberdade de fazer escolhas ambientalmente amigáveis com repercussões não só em relação à massa de resíduos que deverá ser gerada, mas também quanto ao tipo ou classes de resíduos. Impõem-se, neste período que antecede a execução de obras, a necessidade de elaboração do projeto de gerenciamento de resíduos da construção como parte do planejamento para o empreendimento.
Na fase de execução de obras gera-se, comumente, expressiva massa de RCD e a gestão dos resíduos surge como importante aliado na racionalização do uso de recursos naturais e de mão-de-obra, havendo limites impostos pelas escolhas realizadas nas fases de concepção e projeto. Durante a ocupação e utilização das edificações para seus fins específicos, o RCD surge novamente quando da necessidade de realização de pequenos reparos, manutenções e reformas mais amplas que remodelem a edificação tornando-a mais adequada ao uso que se pretende. Neste instante os gestores dos empreendimentos comumente são outros e o risco de dispersão dos resíduos gerados de potencializa por falta de informação, descompromisso e precariedade de soluções locais integradas por um sistema de gestão urbano.
Finalmente, finda a vida útil da edificação sua desativação também gerará resíduos cujas soluções respectivas de destinação estarão condicionadas principalmente pelas escolhas das fases de concepção e projeto em sua origem, dando o tom da importância do planejamento no gerenciamento dos RCD.
Outro aspecto merecedor de destaque na gestão urbana dos RCD é o da diversidade de atores que dela participam. No ambiente urbano “esbarram-se” gestores dos mais diversos empreendimentos geradores de RCD, além de agentes diversificados que cumprem papéis específicos na cadeia envolvida no planejamento dos empreendimentos, geração, manejo e destinação dos RCD, com diferentes níveis de compromisso. Podemos mencionar, neste contexto ampliado, a presença e participação de incorporadores, projetistas, construtores, empreiteiros, operários, proprietários ocupantes de imóveis, administradores de imóveis, transportadores de resíduos, destinatários de resíduos, gestores públicos etc. Neste contexto, torna-se evidente o conflito de interesses na relação entre tais agentes cabendo aos sistemas de gestão integrada de RCD o desafio de maximizar o bem comum.
Explorar a variedade de situações verificáveis ao longo do ciclo de vida das edificações e a complexidade das relações entre os diversos agentes, reconhecendo a importância do canteiro de obra como ambiente típico de geração dos RCD e das cidades como ambiente de inserção e também como provedores de soluções. Tal será a temática do curso “Gestão Ambiental de Resíduos da Construção Urbana – Dos Canteiros às Cidades” que será realizado nos dias 24 e 25 de setembro de 2010. Nesta ocasião, serão explorados desde aspectos conceituais e metodológicos, passando pelo estudo da Gestão Urbana de RCD em Guarulhos, SP como exemplo aplicado à realidade metropolitana de SP e tendo como destaque a visita a empreendimentos privados e equipamentos públicos integrantes das redes de gestão urbana sustentável de RCD.
| Município / Ano | Geração diária em toneladas | Participação em relação à massa de resíduos sólidos urbanos |
| Guarulhos / 2001 | 1.308 | 50% |
| Diadema / 2001 | 458 | 57% |
| Piracicaba / 2001 | 620 | 67% |
| Vitória da Conquista / 1997 | 310 | 61% |
| Jundiaí / 1997 | 712 | 62% |
| São José do Rio Preto / 1997 | 687 | 58% |
| Santo André / 1997 | 1.013 | 54% |
| São José dos Campos / 1995 | 733 | 67% |
| Ribeirão Preto / 1995 | 1.043 | 70% |
. Fonte: IeT Informações e Técnicas.
Por Élcio Duduchi Carelli.
Participe do curso "Gestão Ambiental Urbana de Resíduos da Construção: dos Canteiros às Cidades", nos dias 05 e 06 de agosto.




