Gestão Urbana Integrada de Resíduos da Construção e Demolição - o desafio do exercício da responsabilidade

2011-05-23 11:34

O caminho para a sustentabilidade da construção urbana passa necessariamente pela gestão dos resíduos gerados pelas atividades de construção, demolição e movimentação de solos (RCD). Têm-se constatado que habitualmente, nos municípios brasileiros, a massa gerada de resíduos de construção e demolição excede a dos demais resíduos sólidos urbanos conforme evidencia a tabela abaixo.         
Ao considerarmos o ciclo de vida das edificações, identificamos a necessidade de, nas fases de concepção dos empreendimentos e elaboração dos respectivos projetos, buscar-se soluções arquitetônicas e construtivas que propiciem minimização da geração de resíduos. Neste contexto, há liberdade de fazer escolhas ambientalmente amigáveis com repercussões não só em relação à massa de resíduos que deverá ser gerada, mas também quanto ao tipo ou classes de resíduos. Impõem-se, neste período que antecede a execução de obras, a necessidade de elaboração do projeto de gerenciamento de resíduos da construção como parte do planejamento para o empreendimento. 

Na fase de execução de obras gera-se, comumente, expressiva massa de RCD e a gestão dos resíduos surge como importante aliado na racionalização do uso de recursos naturais e de mão-de-obra, havendo limites impostos pelas escolhas realizadas nas fases de concepção e projeto. Durante a ocupação e utilização das edificações para seus fins específicos, o RCD surge novamente quando da necessidade de realização de pequenos reparos, manutenções e reformas mais amplas que remodelem a edificação tornando-a mais adequada ao uso que se pretende. Neste instante os gestores dos empreendimentos comumente são outros e o risco de dispersão dos resíduos gerados de potencializa por falta de informação, descompromisso e precariedade de soluções locais integradas por um sistema de gestão urbano. 

Finalmente, finda a vida útil da edificação sua desativação também gerará resíduos cujas soluções respectivas de destinação estarão condicionadas principalmente pelas escolhas das fases de concepção e projeto em sua origem, dando o tom da importância do planejamento no gerenciamento dos RCD. 
Outro aspecto merecedor de destaque na gestão urbana dos RCD é o da diversidade de atores que dela participam. No ambiente urbano “esbarram-se” gestores dos mais diversos empreendimentos geradores de RCD, além de agentes diversificados que cumprem papéis específicos na cadeia envolvida no planejamento dos empreendimentos, geração, manejo e destinação dos RCD, com diferentes níveis de compromisso. Podemos mencionar, neste contexto ampliado, a presença e participação de incorporadores, projetistas, construtores, empreiteiros, operários, proprietários ocupantes de imóveis, administradores de imóveis, transportadores de resíduos, destinatários de resíduos, gestores públicos etc. Neste contexto, torna-se evidente o conflito de interesses na relação entre tais agentes cabendo aos sistemas de gestão integrada de RCD o desafio de maximizar o bem comum. 

Explorar a variedade de situações verificáveis ao longo do ciclo de vida das edificações e a complexidade das relações entre os diversos agentes, reconhecendo a importância do canteiro de obra como ambiente típico de geração dos RCD e das cidades como ambiente de inserção e também como provedores de soluções. Tal será a temática do curso “Gestão Ambiental de Resíduos da Construção Urbana – Dos Canteiros às Cidades” que será realizado nos dias 24 e 25 de setembro de 2010. Nesta ocasião, serão explorados desde aspectos conceituais e metodológicos, passando pelo estudo da Gestão Urbana de RCD em Guarulhos, SP como exemplo aplicado à realidade metropolitana de SP e tendo como destaque a visita a empreendimentos privados e equipamentos públicos integrantes das redes de gestão urbana sustentável de RCD.   

     
Município / Ano Geração diária em toneladas Participação em relação à massa de resíduos sólidos urbanos
Guarulhos / 2001      1.308 50%
Diadema / 2001 458 57%
Piracicaba / 2001 620 67%
Vitória da Conquista / 1997  310 61%
Jundiaí / 1997 712 62%
São José do Rio Preto / 1997  687 58%
Santo André / 1997 1.013 54%
São José dos Campos / 1995     733 67%
Ribeirão Preto / 1995 1.043 70%

. Fonte: IeT Informações e Técnicas.

 
Por Élcio Duduchi Carelli.

Participe do curso "Gestão Ambiental Urbana de Resíduos da Construção: dos Canteiros às Cidades", nos dias 05 e 06 de agosto.