
A casa antiga carregava o desgaste de seus 40 anos de existência, em terreno de frente ampla, no Alto da Boa Vista. Nunca antes reformada, foi parcialmente demolida ao ser comprada pela arquiteta, Márcia Mikai. Especialista em sustentabilidade, coordenadora de Projetos da ANAB-Brasil, ela cuidou para que cada item descartado tivesse uma destinação ou fosse reutilizado. Depois de concluída a obra, que resultou em 230 m2 - acréscimo de 20% da área inicial – a arquitetura focada em sustentabilidade, estava adaptada às necessidades da família. “O projeto foi desenvolvido com ênfase em conforto ambiental e eficiência energética. Novas aberturas foram concebidas para melhoria de insolação e ventilação natural com o auxílio do software Ecotect”, explica.
Demolição A demolição foi executada com cuidados, que permitiram a destinação de portas, caixilhos, marmoraria para pessoas carentes, enquanto que os resíduos metálicos e plásticos foram enviados para reciclagem. Os azulejos retirados das áreas molhadas transformaram-se em matéria-prima para mosaicos, criados para o banheiro das crianças, lavanderia e banho de empregada. Parte do entulho foi utilizada para a construção do muro da fachada. As pedras que serviam de revestimento para a base da casa foram retiradas para nova impermeabilização das fundações, e reaproveitadas para a construção da fonte. No novo paisagismo, os gradis se transformaram em suporte de trepadeiras. E os tacos de madeira retirados para impermeabilização do piso térreo, puderam ser reaproveitados em novas áreas.
Construção A reforma total do sistema hidráulico, criou espaço para a concepção de novo sistema para aproveitamento de águas pluviais, que abastecem as bacias sanitárias, rega de jardins e fonte. E adotadas válvulas de descarga de duplo acionamento e metais sanitários com arejadores. A substituição do sistema elétrico existente foi acompanhado pela implantação de sistema de aquecimento de água por energia solar. As luminárias receberam lâmpadas econômicas e leds. Novos eletrodomésticos foram adquiridos com selo Procel. Para mininizar o efelito ‘ilha de calor’, o telhado novo utilizou telhas de cor clara.
Interiores A maior parte do mobiliário vinha de herança de família. Assim, os móveis foram restaurados e incorporados com nova identidade nos espaços. O mobiliário novo foi encomendado com madeiras e subprodutos com selo FSC. A parede do lavabo foi revestida com papéis de lembrança de viagens e a porta de entrada foi executada com madeira de demolição.
Paisagismo Os pisos externos foram demolidos para criar mais áreas permeáveis. As plantas existentes na edificação foram preservadas durante a obra e transplantadas. Árvores frutíferas e ervas medicinais se incorporam ao novo paisagismo.
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