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Cases


30/10/2008
CENTRO DE EDUCAÇÃO PARA SUSTENTABILIDADE ALPHAVILLE (CES)




O CES é a concretização de um sonho. Sua proposta é transformadora, otimista e demonstra a possibilidade de uma nova maneira de viver, conectada com os aspectos social, ambiental, econômico e visão de mundo - considerados os quatro pilares da sustentabilidade.
Localizado no condomínio AlphaVille Burle Marx, em São Paulo, o CES tem uma área construída de 288 m2 em terreno de 800 m2. A iniciativa é fruto da parceria entre a Fundação Alphaville, a prefeitura de Santana do Parnaíba e o CRIS (Centro de Referências e Integração em Sustentabilidade), que integrou uma equipe multidisciplinar nas áreas de bioconstrução, manejo de água e energia renovável.

A Bioconstrução
Para realizar uma bioconstrução é necessária uma avaliação profunda do entorno.isso implica em estudar muito bem o espaço da futura construção e decidir pelos materiais de acordo com as características climáticas do local. Essa análise possibilita a escolha de materiais como o bambu, o tipo de terra, de pedras e de madeiras, além dos vários tipos de resíduos que são sempre bem-vindos, como serragem, palha de arroz, lascas de madeira ou ainda garrafas, vidros e outros. Considerar a cultura do lugar e o perfil da mão-de-obra existente é fundamental para construir algo mais próximo da paisagem e gerar renda.

Educação para a Sustentabilidade
O desenho arquitetônico do CES foi inspirado nos padrões da natureza, desde a sua forma até os sistemas implantados. A observação cuidadosa da paisagem local permitiu o planejamento de uma estrutura que se harmoniza com o contexto em que a mesma se insere.

A forma do CES pode ser interpretada como uma asa de pássaro, uma borboleta, uma meia Lua e com outros desenhos, de acordo com a imaginação de cada um. Segundo Marcelo Todescan, arquiteto responsável pelo desenho arquitetônico do CES, “a natureza do local queria dar asas”.

Deixar espaço para a imaginação contribui para o processo educacional, pois faz com que o observador da construção sinta-se também um participante do resultado final. Para assimilar as formas da natureza é preciso cultivar observação, sensibilidade e criatividade.

O Bambu na Construção
O uso do bambu é milenar, adotado por muitos povos em todos os continentes do mundo. Além de extremamente versátil, é um material resistente, flexível, leve, fácil de manusear e transportar. Por tão diferentes qualidades, o bambu pode ser empregado na construção civil, na confecção de utensílios, no artesanato, na fabricação de móveis, de tecidos e até mesmo de alimentos.

No Brasil existem muitas espécies nativas e exógenas (não-nativas) como o bambu da espécie bambusa vulgaris, presente em muitas regiões do país, sendo, contudo, oriundo da China.

Alguns tipos de bambu são muito resistentes, como o Bambu Gigante (dendrocalamus giganteus), originário de Burma, e o Bambu Guadua (guadua angustifolia), que veio da Colômbia, Equador e Venezuela. Estes bambus têm características estruturais semelhantes às do aço e da madeira e podem ser utilizados em vigas, pilares e estruturas de telhado.
 
Na construção do CES foram utilizadas três espécies:
Bambu Gigante, cujas peças de 12m de comprimento dão sustentação para o telhado inteiro o Bambu phyllostachys pubescen, utilizado nas triangulações espaciais e os Bambus phyllostachys áurea e Bambu-Mirim, utilizados em outras estruturas. A construção com bambu no Centro foi realizada por Robert Harris (Zumm) e sua equipe.

O bambu é uma fonte de matéria-prima rapidamente renovável que seqüestra 30% de carbono a mais do que outra vegetação de mesmo porte. Motivos mais que suficientes para que a utilização deste recurso natural tão precioso seja incentivada.

Uma união construtiva: Bambu e Terra
A utilização da terra em construções humanas está consolidada em séculos de experiências bem sucedidas por vários povos em diversos locais do mundo. Climaticamente confortáveis e duradouros, os tijolos de terra também são mais ecológicos, uma vez que não vão para a queima como os cerâmicos.

Esterilha
Essa é uma técnica construtiva de baixo custo que consiste na montagem de quadros em madeira (chassi), fechamento em esteiras de lascas de bambu amarradas com acabamentos em cimento ou terra amassada, pintados ou revestidos como foi feito no CES.

Cordwood
A parede de toquinhos é uma antiga técnica em que paredes são construídas com pequenos pedaços de madeira. Pode ser muito eficiente em recursos, pois usa madeiras de pouco valor no mercado. A argamassa de assentamento pode ser feita de cimento ou de terra crua. É um excelente isolante térmico, além de oferecer bons resultados acústico e estético.

Pau-a-pique
Técnica muito antiga e popular que consiste em um entremeado de bambu ou madeira e o preenchimento com terra. Esse recheio de terra é composto por uma porção de solo argiloso, uma porção de areia e uma outra de palha e água. Todos estes materiais devem ser bem misturados com a água até obtermos uma textura plástica. O pau-a-pique foi muito utilizado nas construções dos séculos XVIII e XIX, período colonial. É a mais comum das técnicas em arquitetura de terra, principalmente, por dispensar materiais importados.

O Teto está Vivo
No CES, as águas provenientes da cobertura do telhado vegetal serão coletadas e encaminhadas para uma cisterna de captação e armazenamento da água da chuva que, por sua vez, abastecerá os sanitários e outros usos.

Os telhados verdes são multifuncionais:
• Filtram e retardam a descida das águas da chuva, evitando enchentes e assoreamento dos rios.
• Contribuem para o aumento das áreas verdes e do paisagismo.
• Reduzem a poluição atmosférica e contribuem no combate ao aquecimento global pela absorção do CO².
• Regularizam a umidade do ar e as temperaturas interna e externa.
• Reduzem as superfícies pavimentadas.

O telhado verde também é uma solução para melhorar a qualidade do ar, pois aumenta as superfícies verdes da cidade em substituição às áreas pavimentadas.

Energia dos Ventos
A energia eólica é a energia cinética do ar em movimento, ou seja, energia dos ventos, que pode ser aproveitada pelo homem para realizar trabalho útil. Para a produção de energia elétrica são utilizadas turbinas eólicas, também conhecidas como aerogeradores. Para a realização de trabalhos mecânicos, como o bombeamento de água, podem-se usar cata-ventos de diversos tipos.

Captação da água da chuva
Água é sinônimo de vida. Utilizá-la de forma racional é o mínimo esperado da espécie humana. O projeto da água de chuva no CES foi realizado por Guilherme Castagna. A água será coletada pelo telhado verde, armazenada e utilizada para abastecimento dos sanitários, cozinha, irrigação e limpeza. Esta tecnologia, além de apresentar alta qualidade, auxilia no equilíbrio parcial do ciclo hidrológico e gera economia no consumo de água, proteção dos recursos hídricos e prevenção de enchentes.

Biossistema Integrado
O Biossistema integrado é um sistema biológico multifuncional que realiza tratamento dos dejetos de forma simples, ecológica, com baixo custo e consumo de energia e ainda possibilita uma série de benefícios sociais, ambientais e econômicos. Além de permitir que os dejetos humanos percam seu potencial poluidor ao longo das diferentes etapas de tratamento, um biossistema produz energia a partir da biomassa disponível e recicla nutrientes que serão reaproveitados na produção de vegetais e na recuperação de áreas degradadas. Os benefícios são diversos, tais como:
• Despoluição da água, do solo e do ar;
• Produção de biogás através da transformação de dejetos em energia;
• Colabora para a saúde pública.

O Biossistema do CES foi implantado por Valmir Fachini, do O Instituto Ambiental, (OIA) e sua equipe. A estrutura captará o esgoto produzido nos sanitários e os resíduos da cozinha, fazendo-os passar por três fases:
1 – Biodigestor - fase de decantação, na qual será produzido o biogás a ser usado no abastecimento da cozinha;
2 – Biofiltro - fase de filtração;
3 – Zonas de Raízes - fase de reciclagem de nutrientes;
 
Os Materiais Aplicados na Construção
Materiais éticos e de soluções tecnológicas inteligentes promovem a economia de recursos naturais como água e energia, reduz a poluição, preserva a natureza e respeita os aspectos sociais. Seguem abaixo alguns materiais que foram utilizados no CES.

Vidros Reciclados da UBV, utilizados nas janelas e paredes.

Placas de aparas de tubos de creme dental da Alusse nas divisórias dos sanitários

Piso de Borracha Reciclada da Ciaform

Piso de cerâmica reciclada da Lepri

Pastilhas de Coco de Dendê utilizados nas paredes de esterilha

Pastilhas da casca da semente de Babaçu foram aplicadas na mesa do quiosque da cozinha.

Fontes:
Fundação Alphaville
Centro de Referência e Integração em Sustentabilidade – CRIS
crisfundacaoalphavilleces.blogspot.com


 

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