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22/11/2007
Educação Ambiental Corporativa e Sustentabilidade

por Cristina M. G. W. Gailey, psicóloga especialista em Educação Ambiental


      “A característica mais importante da Educação Ambiental é, provavelmente, a que aponta para a resolução de problemas concretos”.
      Trata-se de que, indivíduos, qualquer que seja o grupo a que pertençam e o nível em que se situem, percebam claramente, os problemas que restringem o bem-estar individual e coletivo, elucidem as suas causas e determinem os modos de resolvê-los.
      Assim os indivíduos estarão em condições de participar na definição coletiva de estratégias e atividades encaminhadas para eliminar os problemas que repercutem na qualidade do meio ambiente “. (UNESCO, 1980)”.

A permanente busca de soluções para problemas urgentes e emergentes, pode resultar em ações pontuais, muitas vezes desvinculadas de uma visão mais abrangente e sistêmica da nossa sociedade e das suas reais necessidades.

O objetivo da Educação Ambiental, tão bem explicitado pela Unesco, aplicado e praticado corretamente, dá condições, através de capacitação, para que possamos sensibilizar e incluir cidadãos, neste processo de avaliação e mudança de paradigmas, planejando ações de curto, médio e longo prazos, capazes de gerar resultados para a qualidade de vida da população.

Alguns passos são necessários:

1 - Conscientizar: contribuir para que os indivíduos e grupos sociais adquiram consciência e sensibilidade em relação ao ambiente como um todo e a problemas a ele relacionados

2 - Conhecimento: propiciar aos indivíduos e aos grupos sociais uma compreensão básica sobre o ambiente como um todo, os problemas a ele relacionados e sobre a presença e o papel de uma sociedade criticamente responsável em relação a este ambiente.

3 - Atitudes: possibilitar ao indivíduo e grupos sociais a aquisição (ou estimulação) de valores sociais, fortes vínculos afetivos para com o ambiente e motivação para participar ativamente na sua proteção, melhoria e solução de problemas.

4 - Habilidades: propiciar aos indivíduos e aos grupos sociais condições (ferramentas, formas) para adquirir habilidades necessárias à solução de problemas.

5 - Capacidade de avaliação: estimular os indivíduos e os grupos a analisar as providências necessárias e possíveis relativos ao ambiente, considerando fatores econômicos, políticas, sociais, educacionais, estéticos, e outros.

6 - Participação: desenvolver senso de responsabilidade, comprometimento e compromisso na solução de problemas para assegurar ações apropriadas e contínuas.

Tais etapas são absolutamente necessárias à implantação de políticas de qualidade:

• ISO 14001: Criada em 2001 pela ISO, ONG que funciona através de uma rede de institutos - No Brasil é representada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) – define padrões para que as empresas façam gerenciamento ambiental, minimizando continuamente os efeitos nocivos de suas atividades sobre o meio ambiente. No Brasil, hoje existem cerca de 595 empresas que possuem esta certificação. (fonte: Revista Exame)

• Certificado do Rótulo Ecológico ABNT: atesta que um produto está em conformidade com critérios ambientais de excelência estabelecidos para uma determinada categoria de produtos. Portanto identifica produtos com menor impacto ambiental em relação a outros produtos comparáveis, disponíveis no mercado.

Face ao crescente interesse de organizações em implementar as práticas de Responsabilidade Social, tanto no país, quanto no exterior, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO), através da Portaria nº 027, baixou o Regulamento de Avaliação da Conformidade para Sistema de Gestão da Responsabilidade Social com base na Norma ABNT NBR 16001:2004. O Regulamento entrou em vigor no dia 9 de fevereiro, data da publicação da Portaria.03 de maio de 2006.

Esta iniciativa cria a possibilidade das organizações serem certificadas por um processo de avaliação da conformidade regulado pelo Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC), agregando transparência e credibilidade ao processo produtivo.

Este cenário mais complexo aponta para a obrigatoriedade de integração de princípios de sustentabilidade na espinha dorsal das estratégias de negócio das companhias, para que o meio empresarial evite surpresa relacionada a passivos sociais e ambientais que possam provocar uma erosão de seus resultados financeiros.

O novo conceito parte da premissa de que a sustentabilidade de um empreendimento depende da sua gestão competente, através da capacitação de sua equipe, assim como da sua agilidade em considerar nos planos de negócio os interesses legítimos de seus diferentes stakeholders e os impactos no meio ambiente.

Abordar, portanto, o desenvolvimento sustentável na indústria da construção civil, incentivando o desenvolvimento de projetos e de novas tecnologias que proporcionem a redução da geração de resíduos, do uso racional de recursos naturais, determinando parâmetros para avaliação ambiental de edifícios, são diretrizes imprescindíveis para a sobrevivência, não só das empresas sob o ponto de vista do mercado, como também, do compromisso social e planetário, que se torna indispensável ao nosso papel de cidadãos comprometidos com a nossa qualidade de vida e de nossos descendentes.

As questões chave para a promoção de mudanças recaem sobre a necessidade da educação, que propicia participação efetiva de todos os setores da sociedade, seus atores principais como multiplicadores, imbuídos de uma ética que defenda atitudes e comportamentos de indivíduos e sociedades consoantes com o espaço em que vivem.

Independentemente de interesses econômicos, não podemos mais ser coniventes com práticas que não sejam compatíveis com a preservação ambiental, qualidade de vida e espírito comunitário, sob o risco de pagarmos com altos custos pessoais, nossa omissão neste processo.

Anab


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