ARQUITETURA BIOECOLÓGICA
A Arquitetura Bioecológica incorpora os princípios da Biologia da Construção e propõe uma arquitetura baseada em conceitos como a Ética da Terra (1), Bioética (2) e Ecologia Profunda (3), numa tentativa de resgatar a ética e a sustentabilidade da arquitetura, e torná-la uma agente da saúde humana.
A Biologia da Construção é considerada como o estudo do impacto do ambiente construído na vida humana e sua relação sobre o desenvolvimento físico, emocional, espiritual e mental das pessoas que ocupam aquele espaço, a fim de promover a criação de ambientes mais saudáveis, harmônicos e produtivos.
Considera a edificação como um organismo vivo e, o ambiente em que vivemos ou trabalhamos, como uma “terceira pele”, que se inter-relaciona com o meio que a cerca. Propõem uma releitura da arquitetura baseada na natureza, a fim de construir edificações e cidades mais saudáveis e mais belas, em harmonia com o ambiente e que promovam a saúde física e psíquica e o bem estar de seus moradores, combinando saúde, qualidade interna do ar, eficiência energética e sustentabilidade.
Em outras palavras, a Arquitetura Bioecológica ultrapassa os conceitos de desenvolvimento sustentável e eficiência energética. Representa um chamado à Ética e à Sustentabilidade, e convoca os profissionais de arquitetura à cumprirem seus deveres enquanto seres humanos para com os outros seres humanos, atendendo às necessidades e aspirações do presente, sem comprometer o desenvolvimento das futuras gerações e, principalmente, sem comprometer a saúde humana.
(1) A Ética da Terra foi proposta por Aldo Leopold, engenheiro florestal americano, na década de 40. Segundo ele, a Ética da Terra simplesmente amplia as fronteiras da comunidade para incluir o solo, a água, as plantas e os animais, ou coletivamente, a terra. A Ética não pode prevenir a alteração, o manejo e o uso desses ‘recursos’, mas afirma os seus direitos de continuarem existindo, e permanecerem em seu estado natural, pelo menos em reservas protegidas.
(2) O pensamento de Leopold inspirou o bioquímico americano, Profº Van Rensselaer Potter, que propôs o termo Bioética em 1970, como uma forma de enfatizar os dois componentes mais importantes - conhecimento biológico e valores humanos -para se atingir uma nova sabedoria. Bioética, segundo ele, seria “uma combinação da biologia com conhecimentos humanísticos diversos, constituindo uma ciência que estabelece um sistema de prioridades médicas e ambientais para a sobrevivência aceitável; e que combina humildade, responsabilidade e uma competência interdisciplinar, intercultural e que potencializa o senso de humanidade”.
Para o filósofo francês da atualidade, André Comte-Sponville, “Bioética nada mais é do que os deveres do ser humano para com o outro ser humano e de todos para com a humanidade”. Sponville baseia-se no referencial de Jean Paul Sartre de que “todos somos responsáveis por todos” e de Dostoievsky de que “somos todos responsáveis por tudo, diante de todos”.
(3) Em 1973, com base no pensamento sistêmico e nas chamadas teoria da complexidade e a teoria do caos, o filósofo norueguês Arne Naess propôs o termo ‘Ecologia Profunda’, como uma resposta à visão dominante sobre o uso dos recursos naturais. Enquanto a Ecologia é o estudo das inter-relações entre os seres vivos e destes com o ambiente, a Ecologia Profunda é uma forma de pensar e agir, dentro da ecologia ou de qualquer outra atividade, como a arquitetura, urbanismo ou medicina.
Valores da Arquitetura Bioecológica
Segundo o Institut für Baubiologie +Oekologie Neubeuern – IBN
. não se trata apenas reduzir a toxicidade dos materiais de construção, mas de uma abordagem global para uma vida saudável;
. não representa um olhar sobre o passado ideal, mas uma visão de futuro;
. não é uma improvisação primitiva, mas uma inovação responsável com base em princípios estéticos;
. não se limita ao formalismo, mas tem a natureza como modelo (abundância de formas e cores);
. não se limita a vantagens individuais e considera toda a humanidade e a natureza como um todo.
. não é mais um luxo para poucos, mas será a base para o futuro das construções em todo o mundo.
. não é mais caro, mas inclui os custos reais que, em uma construção tradicional, é repassado para a sociedade, para o ambiente e para as próximas gerações.
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